A Proteção animal é uma causa muito antiga, sendo um dos registros mais remotos o relato bíblico sobre Noé que dentro de sua arca, apressou-se em salvar um casal de cada espécie animal, garantindo assim, a continuidade da vida face à ameaça do grande dilúvio.
Ao correr dos séculos algumas vozes clamaram lúcidas em favor da Natureza, certas de que todos os seres vivos têm o mesmo direito à existência digna.
Aristóteles há mais de dois milênios já se dedicava ao estudo dos animais classificando-os em espécies, sendo um dos precursores do estudo de zoologia.
Buda, 500 a.C. já pregava o respeito a qualquer semelhante, fosse ele bicho ou gente. O primeiro Mandamento Budista, proclama justamente o respeito à vida: "Não matarás nenhuma criatura vivente".
O filósofo grego Pitágoras assim refletiu: "Quem semeia a morte não pode colher o amor; enquanto o homem continuar a ser o destruidor impiedoso dos animais não terá nem saúde, nem alegria, nem tranqüilidade de espírito".
O gênio Leonardo da Vinci, durante a Renascença, também prestou grande contribuição quando ao estudar mamíferos e insetos projetou novas luzes para a compreensão da vida animal. É dele a famosa frase: "CHEGARÁ UM DIA EM QUE OS HOMENS CONHECERÃO O ÍNTIMO DOS ANIMAIS E, ENTÃO, UM CRIME CONTRA QUALQUER UM DELES SERÁ CONSIDERADO UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE".
A Teoria da Evolução de Darwin veio apenas reforçar que todas as espécies, incluindo a humana, estariam sujeitas às leis da natureza, sobrevivendo o mais forte, o que nos coloca no mesmo patamar daqueles que muitos consideram inferiores na hierarquia da Criação.
Mais recentemente o líder pacifista Mahatma Ghandi clamara por piedade a todos os animais, lembrando que essas indefesas criaturas, vítimas da tirania e maldade humanas, não têm força para nos resistir. Brigitte Bardot levantou bandeira em favor da causa animal, e Jacques Custeau navegou a vida toda pelo mistério dos oceanos e das espécies marinhas, popularizando seu trabalho ecológico em educativas séries de TV.
São Francisco de Assis, autor do belíssimo "Cântico das Criaturas", hino de amor a todos os seres viventes, é considerado o santo padroeiro dos animais. Na efeméride de sua morte, 4 de outubro, comemora-se o Dia Universal dos Animais.
No Brasil, o padre cearense Antonio Vieira, escreveu um antológico tratado sobre o jegue. Esta obra, intitulada “O Jumento, Nosso Irmão” ensejou recentemente a sugestão de seu nome ao Prêmio Nobel da Paz.
Os movimentos de defesa dos animais vêm proliferando pelo mundo, mudando o conceito ultrapassado e preconceituoso do animal como ser inferior, sem alma, e portanto, sem sentimentos.
Não podemos esquecer que a palavra "alma" (anima em latim) deriva da mesma raiz que o nome "animal". É por isso que convidamos a todos, grandes e pequenos, a participar desta cruzada pelos nossos amigos, os animais. Porque nada nos torna mais feliz que ver felizes aqueles que nos rodeiam e saber que nós podemos contribuir para lhes assegurar uma vida feliz.
(Texto de Barbara Lebrecht, com idéias de Peter Singer, autor do livro "Libertação Animal".)